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Conteúdo nº 006 Gestão comercial Para todos

Sua empresa bate meta. Mas cada cliente novo dá lucro?

A relação LTV/CAC mostra se o dinheiro investido para vender volta para o caixa, e quanto tempo isso leva.

LTV e CACA

Vender mais não é o mesmo que crescer bem. Uma empresa pode bater a meta todo mês e ficar mais pobre a cada cliente novo, se gasta mais para conquistá-lo do que ele devolve.

Ter funil, CRM e rotina comercial é importante. Mas a pergunta que decide o futuro da empresa é outra: cada cliente conquistado vale o que custou? A relação LTV/CAC responde a essa pergunta em uma única conta.

Os dois números da conta CAC (custo de aquisição de clientes) é tudo o que a empresa gasta com marketing e vendas, dividido pelo número de clientes novos no mesmo período. Entram salários, encargos, comissões, mídia, ferramentas, eventos e viagens. LTV (valor do ciclo de vida do cliente) é a margem que um cliente deixa na empresa enquanto continua comprando. Atenção: é margem, não faturamento. O cliente não deixa o que paga, e sim o que sobra depois do custo de atendê-lo.

Um exemplo para fazer a conta

Imagine uma empresa B2B de software com mensalidade. Os números são ilustrativos. Em um trimestre, ela investiu R$ 180.000 em marketing e vendas e conquistou 30 clientes. O CAC é de R$ 6.000 por cliente. Cada cliente paga R$ 1.250 por mês, com margem de 80%. Sobram R$ 1.000 por mês. Como 4% dos clientes cancelam a cada mês, cada um fica, em média, 25 meses. O LTV é de R$ 25.000.

A relação é R$ 25.000 dividido por R$ 6.000, ou seja, 4,2. Cada real investido para conquistar um cliente volta como R$ 4,20 de margem ao longo do relacionamento.

Como ler o resultado

  • Abaixo de 1: cada cliente custa mais do que devolve. Pare de acelerar e reveja preço, público e processo.
  • De 1 a 3: o investimento volta, mas sobra pouco para pagar a estrutura. Ataque o ponto mais fraco: venda cara ou cliente que não fica.
  • De 3 a 5: a aquisição é rentável e sustentável. Mantenha o ritmo e reforce os canais que puxam a média para cima.
  • Acima de 5: o retorno é alto, mas talvez você esteja investindo pouco e deixando mercado para o concorrente.

Olhe também o payback, que mostra em quanto tempo o cliente se paga. No exemplo, são R$ 6.000 divididos por R$ 1.000 por mês: seis meses. Uma relação boa com payback muito longo pode deixar a empresa sem caixa no caminho.

A média esconde negócios muito diferentes A relação de 4,2 parece confortável. Separando os mesmos 30 clientes por canal de origem, a história muda:

  • Indicações: relação de 17. Um resultado desses não é motivo de orgulho, e sim sinal de um canal deixado à sorte. Vale estruturar um programa de indicações.
  • Prospecção ativa: relação de 3,6, com o maior volume de clientes. É o canal previsível, que responde a mais investimento e a melhorias de conversão.
  • Mídia paga: relação de 3,0, no limite do saudável.
  • Eventos: relação de 2,6, abaixo do piso. É preciso escolher melhor os eventos e trabalhar melhor o pós-evento, ou levar a verba para outro canal.

É nessa abertura que aparecem as decisões que mudam o resultado.

A alavanca mais forte nem sempre está na venda No mesmo exemplo, veja o efeito de cada mudança sobre a relação:

  • Reduzir o cancelamento mensal de 4% para 3% leva a relação para 5,6, um ganho de 33%.
  • Cortar 10% do custo de aquisição leva a relação para 4,6, um ganho de 11%.
  • Subir o preço em 10% também leva a 4,6, um ganho de 10%.

Ou seja: segurar o cliente vale três vezes mais do que cortar custos de venda. E a retenção começa na própria venda. Cliente fora do perfil cancela cedo e derruba o resultado de toda a base.

Como calcular a sua em uma tarde

  1. Some tudo o que gastou com marketing e vendas nos últimos 12 meses, incluindo a folha da equipe.
  2. Divida pelo número de clientes novos do mesmo período. Esse é o seu CAC.
  3. Levante a receita média por cliente, a margem bruta e o tempo médio que cada cliente fica.
  4. Calcule o LTV, a relação e o payback.
  5. Refaça a conta separando por canal de origem.

Três erros que distorcem o número

  • Deixar a folha de fora do CAC: em vendas B2B, salários e comissões costumam ser a maior parte do custo. Sem eles, o número fica bonito e inútil.
  • Calcular o LTV sobre o faturamento: sem aplicar a margem, a relação fica inflada e autoriza gastos que o caixa não suporta.
  • Confiar só na média geral: um canal excelente pode estar escondendo outros que dão prejuízo.

Se amanhã você precisasse provar, com números, que cada cliente conquistado no último ano valeu o que custou, a conta fecharia? Se a resposta não vier rápido, sua empresa pode estar crescendo em vendas e encolhendo em resultado.

Postado por:Anderson FariasEspecialista em Vendas e Gestão Comercial

Texto sem uso de IA

Tem mais de 20 anos de atuação no setor comercial, em empresas de São Paulo. Escreve os conteúdos deste blog e, na Kipany, consultoria comercial B2B de Natal/RN, trabalha com empresas que querem melhorar os seus resultados comerciais em 30% no primeiro mês de consultoria.

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